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Janeiro, 2009.
11 de Janeiro de 2003, há exatamente 6 anos a vida de uma menina estava mudando pra sempre. Naquele dia ela acordou com uma noticia um tanto quanto abaladora. Todavia a novidade - e aprendam desde já: novidade nem sempre é algo bom, mas sempre há um lado a se aproveitar - foi dada de uma forma delicada e eu diria que até aceitável. Algumas horas depois, ela estava sentada numa escadaria com seu celular na mão, a procura de um número pra ligar, alguem com quem ela pudesse conversar sobre a novidade… Infelizmente, o que ela tinha esquecido é que durante sua vida ela não havia permitido que muitas pessoas se aproximassem dela a ponto de naquele dia estarem dispostos a compartilhar daquilo.
Ao mesmo tempo que ela estava lá, sem saber bem o que pensar, fazer ou falar, todas as outras pessoas estavam reunidas em uma sala, por trás da escadaria, lamentando, consolando, chorando… Mas nenhuma dessas ações se aplicava a essa pobre menina. Um turbilhão de sentimentos passavam em seu coração, com coração de menina, ela mal sabia nomeá-los. E em sua cabeça parecia que um vulcão havia entrado em erupção. Não sei se vocês já passaram por isso, mas aquela menina não estava acreditando no que estava acontecendo, parecia cena de novela, filme ou algum desses dramas literários que ela havia lido… Mas estava realmente acontecendo com ela. Na época ela era muito nova pra tomar determinadas atitudes, mas hoje ela lembra de tudo com mais detalhes, calma, diria ate que prudÊncia… Talvez ela até saiba nomear os sentimentos que se passaram, talvez ela não ficasse tão abismada por não ter tido pra quem ligar.
O fato é que depois daquela manhã a menina virou mulher. E depois de 6 anos o que ela nao soube fazer ela aprendeu, e o choro preso foi solto, as palavras de consolo agora são ditas, os sentimentos são um tanto quanto claros. Apenas uma coisa não mudou. Na manha seguinte ao acontecimento ela acordou achando que tudo havia sido um sonho, ou uma lembrança de algum dos tão amados livros lidos, e até onde sei ela continua tendo essa mesma impressão, de que em algum momento ela vai acordar, mas não só por causa daquele dia, mas por todas as outras coisas que aconteceram depois daquilo, hoje ela tem certeza de que sua vida parece ser filme. Com direito a perdas, ganhos, viagens e aventuras, espera de um amor eterno e um final feliz. Bem, hoje não tenho tanta certeza se ela quer acordar do sonho, pelo menos ate onde a conheço…
C.


